sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Tratamento reduz sintomas da Distrofia Muscular


Posted: 09 Aug 2012 07:12 AM PDT
MARCOS PIVETTA | Edição 197 – Julho de 2012
 O emprego de injeções periódicas de um tipo de célula-tronco humana adulta combinadas com doses diárias de um fator de crescimento pode ser uma alternativa promissora para o tratamento de distrofias musculares progressivas. Pesquisadores do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP) obtiveram resultados animadores com essa abordagem em testes com células musculares de pacientes com distrofia de Duchenne e em camundongos com uma forma congênita de distrofia muscular. A terapia em dose dupla usou células-tronco mesenquimais (CTMs) obtidas do cordão umbilical de recém-nascidos conjuntamente com doses do fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1). Nos tecidos humanos, o esquema terapêutico aumentou a expressão (ativação) da distrofina, proteína essencial para a manutenção da integridade dos músculos. Nos roedores, o protocolo de tratamento testado diminuiu a inflamação e a fibrose dos músculos, levando a uma melhora da condição clínica dos animais. Os resultados do trabalho foram publicados em 4 de junho na versão on-line da revista científica Stem Cell Reviews and Reports.

A dobradinha células-tronco mais IGF-1 não gerou novos músculos sadios, como, em princípio, era esperado. Mas parece ter criado condições mais favoráveis para a preservação da funcionalidade da musculatura já existente. Dessa forma, a abordagem poderia ser uma alternativa para evitar ou minorar a degeneração causada por distrofias em geral. A terapia conjugada também apresenta uma vantagem extra. “As células-tronco mesenquimais têm propriedades imunossupressoras”, explica Mayana Zatz, coordenadora da equipe que fez o estudo e do centro da USP, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) financiados pela FAPESP. “Com elas, reduzimos o risco de haver rejeição do material injetado.” O sistema imunológico dos camundongos do experimento, por exemplo, não precisou ser “desligado” antes de os animais receberem as injeções de células-tronco humanas.
Normalmente, quando o doador e o receptor de tecidos ou células não são o mesmo indivíduo, é preciso destruir temporariamente as defesas imunológicas do organismo alvo do implante, procedimento sempre arriscado que deixa o paciente vulnerável a agressões externas. No entanto, se isso não for feito, o material cedido pelo doador será interpretado pelas defesas do receptor como um agente potencialmente perigoso e o implante será fatalmente rejeitado. Com o emprego de células mesenquimais, a questão da rejeição pode ser aparentemente contornada sem a necessidade de anular o sistema imunológico do doente – mesmo em casos extremos, como no experimento feito na USP, em que o receptor (camundongo) e o doador (ser humano) são de espécies distintas.
Há indícios de que ambos os componentes da candidata a terapia conjugada contra distrofia podem ser benéficos para os músculos. As células-tronco mesenquimais são bastante indiferenciadas e têm a capacidade de gerar muitos tipos de tecidos, como ossos, cartilagem, gordura, células de suporte para a formação do sangue e também tecido fibroso conectivo. Suspeita-se também que elas podem desempenhar algum papel no processo de regeneração muscular. Entre outras funções, o IGF-1 está envolvido nos processos de desenvolvimento e crescimento muscular. Avaliar, portanto, os possíveis efeitos de um esquema terapêutico com os dois ingredientes fazia todo o sentido.
O Projeto
Centro de Estudos do Genoma Humano – nº 1998/14254-2
Modalidade
Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid)
Coordenadora
Mayana Zatz – IB-USP
Investimento
R$ 34.412.866,53










Nos testes in vivo, os pesquisadores avaliaram por cerca de 60 dias diferentes protocolos de tratamento em 46 camundongos que apresentavam um quadro clínico tido como modelo das distrofias musculares congênitas. Devido a uma mutação no gene da laminina alfa 2, os animais tinham uma deficiência na produção da proteína merosina, disfunção que provoca fraqueza muscular e reduz a expectativa de vida. “Eles arrastam a pata traseira e têm considerável redução na força muscular”, afirma a bióloga Mariane Secco, principal responsável pelos experimentos em tecidos humanos e nos animais.
Os roedores foram divididos em quatro grupos: o primeiro não foi tratado e funcionou como controle; o segundo recebeu apenas injeções de células-tronco; o terceiro, somente doses do fator de crescimento; e o quarto foi alvo da terapia combinada. As células-tronco foram injetadas uma vez por semana nos roedores. Uma bombinha implantada sob a pele fornecia diariamente uma dose de dois miligramas de IGF-1 por quilo corpóreo dos animais. No final do estudo, foi feita a biópsia dos tecidos musculares e constatada uma melhora significativa entre os animais que receberam a terapia conjugada.
Diante dos resultados positivos, Mayana, Mariane e seus colaboradores sus-peitaram, inicialmente, que o IGF-1 tinha estimulado as CTMs a virar células musculares. Mas essa transformação não foi detectada em nenhum dos quatro grupos de camundongos. A melhora consta-tada foi ocasionada pela diminuição da inflamação e do nível de fibrose muscular, que, por sua vez,  podem ter levado a um aumento na forca da musculatura esquelética dos animais doentes. Aparentemente, o fator de crescimento potencializa os efeitos das células-tronco e vice-versa. “Acreditamos que não é necessário ocorrer a diferenciação das células-tronco injetadas em células musculares para que haja um benefício clínico”, diz Mayana. O tratamento com-binado será testado em cachorros com distrofia para ver se os resultados positivos também se manifestam nesses animais.

Estudo desvenda mecanismo que gera resistência à quimioterapia


Posted: 09 Aug 2012 07:09 AM PDT
Uma pesquisa de cientistas americanos afirma que uma proteína está ligada ao mecanismo que gera a resistência à quimioterapia em pacientes que sofrem de câncer.
Em um artigo publicado na revista científicaNature Medicine, os pesquisadores afirmaram que a quimioterapia leva células especializadas em curar feridas em volta dos tumores a produzirem uma proteína que ajuda o câncer a resistir ao tratamento.
Cerca de 90% dos pacientes com casos de câncer na próstata, mama, pulmão e intestinal que sofrem metástase, quando o câncer se espalha, desenvolvem resistência à quimioterapia.
O tratamento para estes casos é feito com intervalos, para que o corpo do paciente possa se recuperar da toxicidade da quimioterapia. Mas estes intervalos permitem que as células do tumor se recuperem e desenvolvam a resistência.
No estudo dos pesquisadores do Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, em Seattle, analisaram células fibroblásticas, que normalmente têm um papel muito importante na recuperação em casos de feridas e na produção de colágeno, o principal componente de tecidos de ligação, como os tendões, por exemplo.
A quimioterapia gera danos no DNA, o que faz com que estas células produzam uma quantidade de uma proteína chamada WNT16B trinta vezes maior do que deveriam.
Esta proteína é o “combustível” que faz com que as células cancerosas cresçam e invadam tecidos que cercam o tumor além de causar a resistência à quimioterapia.
Já se sabia que esta proteína estava envolvida no desenvolvimento do câncer, mas não na resistência ao tratamento.

Eficácia do tratamento

Os cientistas esperam encontrar uma forma de cortar esta resposta destas células e melhorar a eficácia do tratamento do câncer.
“As terapias para o câncer estão evoluindo cada vez mais para serem muito específicas”, disse Peter Nelson, o pesquisador que liderou o estudo.
“Nossas descobertas indicam que o microambiente do tumor também pode influenciar o sucesso ou fracasso de terapias mais precisas”, acrescentou.
Fran Balkwill, especialista em microambiente de tumores na organização de caridade britânica Cancer Research UK afirmou que esta e “outras pesquisas mostram que tratamentos de câncer não afetam apenas células cancerosas, mas também podem atingir células dentro e em volta dos tumores”.
“Às vezes isto pode ser bom, por exemplo, a quimioterapia pode estimular as células do sistema imunológico a atacarem os tumores.”
“Mas, este trabalho confirma que células saudáveis que cercam o tumor também podem ajudar o tumor a desenvolver resistência ao tratamento”, disse.
“O próximo passo é encontrar formas de atingir estes mecanismos de resistência e ajudar tornar a quimioterapia mais eficaz”, acrescentou.

Células-tronco tumorais fazem câncer voltar a crescer


Posted: 09 Aug 2012 07:08 AM PDT
Giovana Girardi, de O Estado de S.Paulo
O ressurgimento de tumores tempos depois de eles terem sido combatidos por quimioterapia é um dilema que aflige há muito tempo médicos e pesquisadores que lidam com câncer. Três estudos divulgados nesta quarta-feira, 1, conseguiram mostrar a ação de células-tronco tumorais na retomada desse crescimento, oferecendo um novo algo para a luta contra a doença.
Células-tronco são capazes de se diferenciar em outras células e normalmente são associadas a promessas de tratamento de, por exemplo, doenças degenerativas. São elas também que, nos tecidos e órgãos, originam novas células para repor as que morrem. De maneira semelhante, imaginava-se que células-tronco tumorais dariam origem às células que compõem o tumor.
Essa hipótese é investigada há anos e outros trabalhos científicos já haviam trazido evidência para linfoma e leucemia, que se desenvolvem no sangue, mas não para tumores sólidos.
A dificuldade é que as pesquisas eram feitas a partir do transplante de tumores humanos em animais. No caso do sistema sanguíneo, o transplante é capaz de recriar as mesmas condições do doador, mas nos tumores sólidos, muitas outras variáveis podem interferir no comportamento celular, o que torna mais difícil identificar as células-tronco tumorais e isolá-las como responsáveis pelo crescimento do câncer, o que sempre causou muita controvérsia sobre o resultado das pesquisas.
O salto dos três estudos atuais foi usar modelos animais projetados para desenvolver os tumores, eliminando eventuais interferências. Um dos estudos trabalhou com câncer de pele, o outro, de cérebro (ou glioblastoma) e o outro, com câncer de intestino. Com algumas pequenas diferenças nos procedimentos, os três foram capazes de demonstrar os tumores sendo originados de pequenas populações de células tumorais com características de células-tronco.
As duas primeiras pesquisas estão na revista Nature e a terceira, na Science, que antecipou a divulgação do artigo para coincidir com a publicação britânica. O anúncio conjunto reforça a importância dos achados.
“Provamos a existência das células-tronco tumorais sem manipular os tumores ou as células”, afirmou ao Estado Luis Parada, da Universidade do Texas, que trabalhou com o modelo de tumor cerebral.
Após submeter os animais à quimioterapia e ver o tumor praticamente desaparecer, ele e colegas conseguiram identificar as células-tronco sobreviventes e depois notaram que elas geravam novas células tumorais. “Nós então mostramos que se matarmos essas células, o tumor para de crescer”, conta.
Eles conseguiram matar as células porque elas estavam com uma marca específica para reagir a uma droga, mas nas situações reais, isso não acontece. “Os estudos são bastante importantes, mas agora precisamos entender o que diferencia as células-tronco tumorais das tumorais normais para poder atacar também as primeiras”, afirma Vilma Regina Martins, diretora de Pesquisa do Hospital A. C. Camargo.
“Este trabalho confirma que é a alta resistência das células-tronco cancerosas ao tratamento com certos quimioterápicos. Isso explicaria os eventos de recidivas tumorais após tratamentos e reforça a necessidade de se estudar mais a fundo as propriedades intrínsecas das células-tronco cancerosas para tentar desenvolver novos medicamentos que efetivamente destruam essa população de células responsáveis pela geração de tumores”, complementa Keith Okamoto, da USP, que também trabalha com o tema no Brasil.
Tanto os pesquisadores estrangeiros quanto os brasileiros também suspeitam que as células-tronco tumorais podem ajudar no futuro a entender a ocorrência de metástases.
Para Okamoto, os estudos também alertam para a necessidade “de se averiguar possíveis efeitos adversos decorrentes de terapias com células-tronco para outras doenças, visto que uma das hipóteses para a origem das células-tronco cancerosas é a transformação maligna de células-tronco normais residentes em nossos tecidos”, comenta.

Terapia gênica restaura audição em camundongo com surdez congênita


Posted: 09 Aug 2012 07:05 AM PDT


Um grupo de pesquisadores da Califórnia , liderados por Lawrence Lustig, conseguiu pela primeira vez, através de terapia gênica restaurar a audição de camundongos que têm surdez congênita causada pela ausência de uma proteína. O estudo foi publicado na revista Neuron e o resultado, sem dúvida, é música para todos aqueles que poderão no futuro beneficiar-se dessa pesquisa.

Recordando
A surdez congênita, aquela que já está presente ao nascimento, pode ter causas genéticas ou mais raramente ambientais, no caso,  o ambiente uterino. Por exemplo, bebês nascidos de mães que tiveram rubéola durante o primeiro trimestre de gestação podem nascer com perda total ou parcial da audição. Por outro lado, existem várias dezenas de genes associados à surdez hereditária. Estima-se que nos Estados Unidos nascem cerca de 12.000 bebês por ano com deficiência auditiva total ou parcial. Esses dados não são conhecidos no Brasil.
Há casais de surdos que procuram o diagnóstico pré-implantação para selecionar preferencialmente embriões com deficiência auditiva  – uma escolha associada a questionamentos éticos, que discuto nomeu livro gen ÉticaA grande maioria de pessoas com surdez, no entanto, gostaria de restaurar a audição se houvesse um tratamento.

Como foi feita a pesquisa?
Os cientistas utilizaram um camundongo que nasce sem um gene responsável pela produção de uma proteína denominada VGLUT3 (do inglês vesicular glutamate transporter-3). Sem essa proteína, as células do ouvido interno não conseguem liberar um neurotransmissor denominado glutamato que transmite sinais sonoros para o cérebro. Através de terapia gênica – a estratégia dos pesquisadores foi de introduzir uma cópia normal do gene no ouvido interno desses camundongos. Para isso, o gene Vglut3 foi inserido em um vírus especial  (adeno associated virus tipo 1 ou AAV1) e injetado no ouvido dos camundongos. Em alguns animais, logo após o nascimento e em outros após duas semanas de vida.

O que foi observado?
Através de sinais elétricos os cientistas puderam observar que os dois grupos de camundongos submetidos a terapia gênica respondiam a estímulos com sinais sonoros – do mesmo modo que camundongos normais –  enquanto no grupo controle não havia resposta nenhuma.

Será possível transportar essa pesquisa para a clínica?
É a pergunta que todos se fazem. De acordo com o Dr. Lustig, o autor principal desse estudo, trata-se de um grande passo na direção de futuros tratamentos. “Talvez dentro de cinco anos”, avalia. O problema é que os camundongos com essa mutação comportam-se de modo diferente dos humanos. Enquanto nos animais esse gene está associado a surdez congênita, em seres humanos mutações nesse gene causam uma perda de sons de alta frequência na idade adulta.  A boa notícia é que depois de tantos anos de descrédito a terapia gênica começa a colocar as manguinhas de fora e a esperança de transformar pesquisa em tratamento aumenta para inúmeras condições genéticas.
Por Mayana Zatz

Estudo aponta elo entre mutação genética e paralisia em crianças


Posted: 02 Aug 2012 09:27 AM PDT
Do G1, em São Paulo
Pesquisadores do centro médico da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, descobriram que um raro distúrbio que causa paralisia em crianças, a hemiplegia alternante da infância, está ligado a uma mutação genética. Graças à descoberta, um tratamento pode ser possível no futuro, dizem os cientistas em um estudo publicado neste domingo (29) na revista “Nature Genetics”.
O distúrbio começa a atingir crianças antes mesmo dos 18 meses de idade, com manifestações como paralisia ocular, disfunção do sistema nervoso, falta de ar (a chamada dispnéia) e outros efeitos.

saiba mais

Com o tempo, aponta a pesquisa, a tendência é haver imobilidade em um lado do corpo e depois no outro da criança, com intervalos imprevisíveis. O distúrbio aparece esporadicamente, com tendência a não se manifestar em outros membros da família, afirma um dos autores da investigação científica, Eric Heinzen.
Como a doença não se manifesta em pais de crianças com hemiplegia, “nós procuramos por mutações genéticas nas crianças”, disse Heinzen. “Comparamos cuidadosamente os genomas de sete pacientes e dos seus pais que não tinham nenhum tipo de distúrbio. Quando encontramos mutações em todas as sete crianças no mesmo gene, nó soubemos que havíamos encontrado a causa do distúrio”, disse.
A pesquisa foi feita com a colaboração de fundações nos EUA, Itália e França, incluindo cientistas de 13 países diferentes, para estudar 95 pacientes adicionais. A pesquisa mostrou que 75% das crianças com a doença tinham mutação no mesmo gene.

Transplante de células-tronco pode ter curado dois homens com HIV


Posted: 02 Aug 2012 09:25 AM PDT
Um estudo divulgado em Washington nesta semana, durante a 19ª Conferência Internacional da Aids, afirma que dois homens com HIV não apresentaram sinais do vírus no período de oito e 17 meses, respectivamente, depois de receber transplantes de células-tronco devido a uma leucemia.
A pesquisa feita por Daniel Kuritzkes, professor de medicina do Hospital Brigham and Women, em Massachusetts, traz a possibilidade de que os dois homens estejam livres do HIV.
De acordo com os cientistas, as células-tronco transplantadas repovoaram o sistema imunológico dos pacientes e os traços de HIV foram perdidos. Após receberem a medula de doadores, foi mantido o tratamento com antirretrovirais. Isso permitiu que as células doadas não fossem infectadas e criou ainda defesas imunitárias.
Atualmente, de acordo com o estudo, não há traços de HIV no DNA, RNA ou ainda no sangue dos homens que serviram de cobaia. De acordo com a pesquisa, o próximo passo será determinar a existência de HIV nos tecidos.
Os dois casos são diferentes do famoso “paciente de Berlim”, o americano Timothy Brown, que se considera curado do HIV e da leucemia após receber um transplante de médula óssea de um raro doador que possuía resistência natural ao HIV (sem receptor CCR5, que age como porta de entrada do vírus nas células).

Tratamento experimental
Brown, 47 anos, um ex- HIV positivo de Seattle, nos EUA, ficou famoso depois de passar por um novo tratamento de leucemia com células-tronco de um doador resistente ao HIV e desde então não apresenta traços do vírus.
Depois de 2007, Brown passou por dois transplantes de alto risco de medula óssea e seus testes continuam a indicar negativo para o HIV, impressionando os pesquisadores e oferecendo perspectivas promissoras sobre como a terapia genética pode levar à cura da doença.
“Eu sou a prova viva de que pode haver uma cura para a Aids”, disse Brown em uma entrevista. “É maravilhoso estar curado do HIV”. Brown parecia frágil quando se reuniu com jornalistas durante a XIX Conferência Internacional sobre a Aids, o maior encontro mundial sobre a pandemia, realizada durante esta semana na capital americana.
O transplante de medula óssea é delicado e um a cada cinco pacientes não sobrevive. Mas Brown afirma que apenas sente dores de cabeça ocasionais. Também disse estar consciente de que sua condição gerou polêmica, mas negou as afirmações de alguns cientistas que acreditam que ele pode ter traços de HIV no corpo e que pode contaminar outros. “Sim, estou curado”, declarou. “Sou HIV negativo”.

Prazo de vida
Brown estudava em Berlim quando descobriu ser HIV positivo, em 1995. Na época, deram-lhe dois anos de vida. Contudo, um ano depois, apareceu no mercado a terapia antirretroviral combinada, que fez com que o HIV deixasse de ser uma sentença de morte e passasse a uma doença controlável por milhões de pessoas em todo o mundo.
Brown tolerou bem as drogas, mas com fadiga persistente visitou um médico em 2006 e foi diagnosticado com leucemia. Passou por quimioterapia, o que lhe causou uma pneumonia e uma infecção que quase o matou.
A leucemia voltou em 2007 e seu médico, Gero Heutter, cogitou um transplante de medula óssea com um doador que tinha uma mutação do receptor CCR5. Pessoas sem este receptor parecem ser resistentes ao HIV, porque não têm a porta através da qual o vírus entra nas células. Mas essas pessoas são raras: cerca de 1% da população do norte da Europa.
A nova técnica pode ser uma tentativa para curar o câncer e o HIV, ao mesmo tempo.
Brown foi submetido a um transplante de medula óssea com células-tronco de um doador com a mutação CCR5. Ao mesmo tempo, parou de tomar antirretrovirais. No fim do tratamento o HIV não foi mais identificado em Brown. Mas sua leucemia retornou, e por isso foi submetido a um segundo transplante de medula em 2008, utilizando as células do mesmo doador.
Brown afirmou que sua recuperação da segunda cirurgia foi mais complicada e o deixou com alguns problemas neurológicos, mas continua curado da leucemia e do VIH. Quando perguntam se acredita em um milagre, Brown hesita. “É difícil dizer. Depende de suas crenças religiosas, se você quer acreditar que foi a ciência médica ou que se trata uma intervenção divina”, disse. “Eu diria que é um pouco dos dois”.
*Com informações da France Presse

‘Ciência sem Fronteiras’ – importações ainda são um impasse


Posted: 01 Aug 2012 11:02 AM PDT

Essa iniciativa que tem merecido destaque da imprensa  e apoio da presidente Dilma foi aplaudida por todos os cientistas e por aqueles que acreditam que o desenvolvimento de um país passa pela ciência e tecnologia. A ciência não possui fronteiras. Ela é universal. O programa “Ciência sem Fronteiras” prevê a ida de 100.000 estudantes brasileiros para universidades do exterior nos próximos anos. A expectativa é que ao voltarem, eles tragam na bagagem novas tecnologias, novas maneiras de pesquisar e impulsionar a ciência e o estabelecimento de intercâmbio científico com  laboratórios internacionais. Do mesmo modo que a presidente Dilma afirmou recentemente que incentivos fiscais serão dados a empresas brasileiras para gerar empregos, esse apoio prevê a formação de jovens cientistas que possam ter impacto na ciência brasileira.
Entretanto, para que esse programa possa ter sucesso dois aspectos são fundamentais:
1) Deve haver critérios científicos muito bem embasados para selecionar os estudantes, os laboratórios que vão recebê-los no exterior e os projetos de pesquisa. A recusa do CNPq em apoiar certos projetos ou  dar bolsas a alguns estudantes tem se baseado na opinião de  pesquisadores  qualificados que analisam cuidadosamente todos esses pontos. Além disso, temos visto casos de estudantes brasileiros radicados no exterior, que não têm nenhuma intenção de voltar ao Brasil, mas veem nessas bolsas a possibilidade de receber um auxílio adicional em condições muito menos competitivas que as exigidas no primeiro mundo.
2) Ao voltar, os estudantes precisam encontrar no Brasil laboratórios com condições comparáveis às do exterior para desenvolver suas pesquisas. Caso contrário todo o investimento terá sido inútil. Nesse sentido, um aspecto fundamental refere-se à agilidade para importar insumos para pesquisas. Temos batido nessa tecla repetidamente. Várias iniciativas positivas já  foram tomadas pelos órgãos públicos e agências de fomento, mas ainda estamos longe do ideal. Continuamos com grandes empecilhos. Algumas medidas muito simples poderiam fazer uma enorme diferença e o melhor de tudo, gerar uma enorme economia não só de tempo, mas também de recursos. Poderíamos fazer muito MAIS com MENOS.

COMO DEVERIAM SER AS IMPORTAÇÕES DE INSUMOS PARA PESQUISA CIENTÍFICA?

Quais são os entraves?
O Brasil que destaca-se mundialmente pela eficiência em programas de votação ou declaração de imposto de renda por meio eletrônico ainda usa  papel, carimbos e assinaturas (do pesquisador responsável e do dirigente da instituição) para autorizar cada reagente a ser importado para projetos de pesquisa. Isso, sem falar dos despachantes e burocracias para liberar os produtos da alfândega. Ou das greves que paralisam tudo. Gasta-se muito mais tempo para viabilizar uma pesquisa do que para executá-la. É dificil de acreditar, não?  Com isso insumos requeridos para experimentos científicos inovadores – que chegam em apenas algumas horas às mãos dos pesquisadores no primeiro mundo, permitindo que testam imediatamente suas ideias -  levam semanas e às vezes meses para chegar aos laboratórios brasileiros. Como competir com laboratórios internacionais de ponta quando a rapidez na pesquisa é crucial? Impossível.

Como mudar esse quadro? Qual é a receita?
É muito simples.
1)  Todos os pesquisadores brasileiros nas universidades ou institutos de pesquisas estão cadastrados no sistema Lattes do CNPq, uma plataforma excelente.  Basta colocar o nome e aparece a sua biografia científica e linhas de pesquisa.
2)  Com raras exceções, os reagentes necessários para as pesquisas são conhecidos, catalogados e já aprovados por agências reguladoras nacionais e  internacionais. Bastaria ter uma lista de todos eles em bancos de dados acessíveis para qualquer pesquisador, via internet.
3)  As agências financiadoras ao apoiar e destinar recursos aos projetos de pesquisas alocam um certo montante para material importado. Porque não vincular esse valor a um cartão de crédito com o nome do pesquisador responsável  no mesmo limite aprovado para pesquisa?

Como seria na prática o programa ?
Toda vez que um pesquisador – já cadastrado – precisasse de um reagente bastaria colocar o nome do produto  e solicitar sua importação. O programa “importe-pesquisa” ou “ reagentes sem fronteiras” localizaria o código do material, o fabricante e deduziria o valor do total de verbas de importação do pesquisador. E o melhor de tudo. O produto poderia ser entregue diretamente ao pesquisador pelo fabricante, no seu laboratório, sem ter que passar por alfândega, despachante e outros entraves burocráticos. Do mesmo modo que se importam livros.

Quais seriam as vantagens?
Além da agilidade para importar material de pesquisas esse sistema poderia gerar uma grande economia não só dispensando os agentes intermediários, mas permitindo que se importasse somente o reagente necessário para aquele experimento, sem necessidade de estoques, perda de material etc..  Cada pesquisador seria o responsável pelos insumos importados.

Presidente Dilma, dê um voto de confiança aos cientistas brasileiros
Repito aqui um apelo que  já fiz várias vêzes:  presidente Dilma, dê um voto de confiança aos pesquisadores. Tenho certeza que essas medidas, se implementadas, serão aplaudidas por todos os cientistas brasileiros e por aqueles que lutam por um país melhor. Elas poderão ser fundamentais  para que o programa “Ciência sem Fronteiras” alcance os objetivos desejados e resulte em um salto qualitativo na ciência e tecnologia do Brasil.
Por Mayana Zatz

Estudo revela mecanismo que faz câncer se espalhar


Posted: 27 Jul 2012 05:55 AM PDT
Uma equipe internacional de pesquisadores, incluindo brasileiros do Hospital A.C. Camargo (SP), pode ter dado um passo importante para bloquear o insidioso processo por meio do qual o câncer se espalha pelo organismo.
Eles mostraram que uma espécie de bolha microscópica, que lembra uma “minicélula”, é capaz de carregar as sementes de um novo tumor para partes distantes do corpo, preparando essas áreas para receber a doença.

Se for possível bloquear a ação dessas “bolhas”, os médicos teriam em mãos uma defesa importante contra a metástase, como é conhecido o espalhamento do câncer pelo organismo do doente.
A quantidade e o conteúdo das “minicélulas” também poderiam trazer pistas importantes sobre a gravidade de determinado câncer e sobre a resistência do tumor a medicamentos, explica a bioquímica Vilma Martins, pesquisadora do A.C. Camargo. “Pode ser uma ferramenta muito poderosa para os oncologistas”, afirma ela.
Martins assina um estudo sobre o tema que acaba de ser publicado na revista científica “Nature Medicine”. A equipe de cientistas, coordenada por David Lyden, da Faculdade Médica Weill Cornell, em Nova York, identificou sinais intrigantes do papel das “bolhas” -conhecidas tecnicamente como exossomos- num câncer que costuma afetar a pele, o melanoma.
UM CORPO QUE SAI
Os termos gregos que formam a palavra “exossomo” podem ser traduzidos exatamente da maneira acima: “um corpo que sai” da célula, como uma espécie de mensageiro, de acordo com o que pesquisas recentes mostram. “É uma área de pesquisa bastante nova”, diz Martins.
Os exossomos se formam no interior das células e apresentam uma membrana composta por uma camada dupla de gordura -exatamente como a membrana das células “verdadeiras” (veja quadro).
Em seu interior, podem carregar vários tipos de molécula, inclusive material genético. Atravessam com facilidade a membrana das células e levam essa carga para outras células. “Parece um método eficiente de sinalização celular”, explica Martins.
O problema é que, como mostrou o trabalho da bioquímica e seus colegas, essa sinalização pode ser facilmente usada para o mal. Em pessoas com melanoma, por exemplo, os exossomos produzidos carregam uma quantidade maior de proteínas ligadas ao câncer quando o tumor da pessoa é mais grave.
Quando injetadas em camundongos junto com células tumorais, as “minicélulas” facilitaram a formação de tumores, carregando substâncias que ajudam a recrutar células formadoras de vasos sanguíneos.
É que os cientistas apelidam de “criação de nicho” para o tumor: um local cheio de nutrientes trazidos pelos vasos para que o vilão possa crescer. E os vasos também ficam mais permeáveis -o que facilitaria a penetração das células tumorais. O desafio, agora, é aprender a bloquear o processo.

Proteção contra doença de Alzheimer


Posted: 27 Jul 2012 05:53 AM PDT
Agência FAPESP – A descoberta de uma mutação genética que protege tanto contra a doença de Alzheimer como contra o declínio cognitivo associado ao envelhecimento foi descrita nesta quinta-feira (12/07) em artigo publicado no site da Nature.
De acordo com a revista, a descoberta abre a possibilidade de relações no funcionamento das duas condições e pode representar um alvo em potencial para o tratamento e a prevenção de Alzheimer.
Um padrão nessa doença degenerativa atualmente incurável é a existência de placas amiloides, cuja formação envolve a proteína precursora de amiloide (PPA). Na nova pesquisa, Kari Stefansson, da Faculdade de Medicina da Universidade da Islândia, e colegas analisaram cerca de 2 mil genomas e identificaram uma mutação específica no gene PPA que confere forte proteção contra a doença de Alzeheimer.
De acordo com os cientistas, essa proteção, embora rara, resulta em uma redução de aproximadamente 40% na formação de placas de proteínas. Os autores também verificaram que pessoas mais velhas (com idades entre 80 e 100 anos), sem doença de Alzheimer e que são portadores da mutação apresentam melhor função cognitiva do que aquelas que não têm a mutação.
Os pesquisadores sugerem que a doença de Alzheimer pode representar o extremo do declínio na capacidade cognitiva associado ao envelhecimento.
Segundo os autores do estudo, trabalhos anteriores haviam relacionado mutações no gene PPA com casos de Alzheimer precoce e familiar, mas não com exemplos comuns de desenvolvimento da doença em pessoas não jovens.
Stefansson e colegas apontam que a descoberta apoia hipóteses anteriores de que interferir na produção da PPA – o que pode ser feito com drogas atualmente existentes – pode resultar na proteção contra a doença de Alzheimer.

Mais informações estão no artigo A mutation in APP protects against Alzheimer’s disease and age-related cognitive decline (doi:10.1038/nature11283), de Stefansson e outros, que pode ser lido por assinantes da Nature emwww.nature.com/nature/journal/vaop/ncurrent/full/nature11283.html 

Tratamento em dobro


Posted: 27 Jul 2012 05:50 AM PDT
O emprego de injeções periódicas de um tipo de célula-tronco humana adulta combinadas com doses diárias de um fator de crescimento pode ser uma alternativa promissora para o tratamento de distrofias musculares progressivas. Pesquisadores do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP) obtiveram resultados animadores com essa abordagem em testes com células musculares de pacientes com distrofia de Duchenne e em camundongos com uma forma congênita de distrofia muscular. A terapia em dose dupla usou células-tronco mesenquimais (CTMs) obtidas do cordão umbilical de recém-nascidos conjuntamente com doses do fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1). Nos tecidos humanos, o esquema terapêutico aumentou a expressão (ativação) da distrofina, proteína essencial para a manutenção da integridade dos músculos. Nos roedores, o protocolo de tratamento testado diminuiu a inflamação e a fibrose dos músculos, levando a uma melhora da condição clínica dos animais. Os resultados do trabalho foram publicados em 4 de junho na versão on-line da revista científica Stem Cell Reviews and Reports.
A dobradinha células-tronco mais IGF-1 não gerou novos músculos sadios, como, em princípio, era esperado. Mas parece ter criado condições mais favoráveis para a preservação da funcionalidade da musculatura já existente. Dessa forma, a abordagem poderia ser uma alternativa para evitar ou minorar a degeneração causada por distrofias em geral. A terapia conjugada também apresenta uma vantagem extra. “As células-tronco mesenquimais têm propriedades imunossupressoras”, explica Mayana Zatz, coordenadora da equipe que fez o estudo e do centro da USP, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) financiados pela FAPESP. “Com elas, reduzimos o risco de haver rejeição do material injetado.” O sistema imunológico dos camundongos do experimento, por exemplo, não precisou ser “desligado” antes de os animais receberem as injeções de células-tronco humanas.
Normalmente, quando o doador e o receptor de tecidos ou células não são o mesmo indivíduo, é preciso destruir temporariamente as defesas imunológicas do organismo alvo do implante, procedimento sempre arriscado que deixa o paciente vulnerável a agressões externas. No entanto, se isso não for feito, o material cedido pelo doador será interpretado pelas defesas do receptor como um agente potencialmente perigoso e o implante será fatalmente rejeitado. Com o emprego de células mesenquimais, a questão da rejeição pode ser aparentemente contornada sem a necessidade de anular o sistema imunológico do doente – mesmo em casos extremos, como no experimento feito na USP, em que o receptor (camundongo) e o doador (ser humano) são de espécies distintas.
Há indícios de que ambos os componentes da candidata a terapia conjugada contra distrofia podem ser benéficos para os músculos. As células-tronco mesenquimais são bastante indiferenciadas e têm a capacidade de gerar muitos tipos de tecidos, como ossos, cartilagem, gordura, células de suporte para a formação do sangue e também tecido fibroso conectivo. Suspeita-se também que elas podem desempenhar algum papel no processo de regeneração muscular. Entre outras funções, o IGF-1 está envolvido nos processos de desenvolvimento e crescimento muscular. Avaliar, portanto, os possíveis efeitos de um esquema terapêutico com os dois ingredientes fazia todo o sentido.
O Projeto
Centro de Estudos do Genoma Humano – nº 1998/14254-2
Modalidade
Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid)
Coordenadora
Mayana Zatz – IB-USP
Investimento
R$ 34.412.866,53










Nos testes in vivo, os pesquisadores avaliaram por cerca de 60 dias diferentes protocolos de tratamento em 46 camundongos que apresentavam um quadro clínico tido como modelo das distrofias musculares congênitas. Devido a uma mutação no gene da laminina alfa 2, os animais tinham uma deficiência na produção da proteína merosina, disfunção que provoca fraqueza muscular e reduz a expectativa de vida. “Eles arrastam a pata traseira e têm considerável redução na força muscular”, afirma a bióloga Mariane Secco, principal responsável pelos experimentos em tecidos humanos e nos animais.
Os roedores foram divididos em quatro grupos: o primeiro não foi tratado e funcionou como controle; o segundo recebeu apenas injeções de células-tronco; o terceiro, somente doses do fator de crescimento; e o quarto foi alvo da terapia combinada. As células-tronco foram injetadas uma vez por semana nos roedores. Uma bombinha implantada sob a pele fornecia diariamente uma dose de dois miligramas de IGF-1 por quilo corpóreo dos animais. No final do estudo, foi feita a biópsia dos tecidos musculares e constatada uma melhora significativa entre os animais que receberam a terapia conjugada.
Diante dos resultados positivos, Mayana, Mariane e seus colaboradores sus-peitaram, inicialmente, que o IGF-1 tinha estimulado as CTMs a virar células musculares. Mas essa transformação não foi detectada em nenhum dos quatro grupos de camundongos. A melhora consta-tada foi ocasionada pela diminuição da inflamação e do nível de fibrose muscular, que, por sua vez,  podem ter levado a um aumento na forca da musculatura esquelética dos animais doentes. Aparentemente, o fator de crescimento potencializa os efeitos das células-tronco e vice-versa. “Acreditamos que não é necessário ocorrer a diferenciação das células-tronco injetadas em células musculares para que haja um benefício clínico”, diz Mayana. O tratamento com-binado será testado em cachorros com distrofia para ver se os resultados positivos também se manifestam nesses animais.

Como explicar as diferenças entre gêmeos idênticos?


Posted: 27 Jul 2012 05:34 AM PDT

Gêmeos idênticos ou monozigóticos (MZ) têm o mesmo genoma e compartilham o mesmo ambiente uterino. Entretanto, quem convive de perto  com gêmeos idênticos sabe que há muitas diferenças entre eles. O  mais intrigante é o caso de doenças genéticas ou malformações congênitas. Existem inúmeras situações de gêmeos MZ discordantes onde um é afetado e o outro não, como  lábio leporino, doenças psiquiátricas, estenose do piloro, entre outros. Se tanto o genoma como o ambiente são iguais, como explicar essas diferenças? É uma questão que sempre intrigou os geneticistas. Um trabalho recente realizado por cientistas australianos (publicado em julho na revista Genome Research) mostra resultados interessantes.

Como foi feita a pesquisa?
Os pesquisadores analisaram o perfil epigenético ao nascer  de 22 pares de gêmeos monozigóticos ( MZ) 12 pares de gêmeos dizigóticos (DZ) e recém-nascidos não aparentados. Compararam células de três tecidos: do sangue do cordão umbilical, da  placenta e do tecido do cordão.  Recordando, gêmeos MZ são aqueles resultantes da fecundação de um mesmo óvulo e espermatozoide e que depois de fecundado se divide em dois. Os gêmeos MZ podem compartilhar a mesma placenta ou estarem em placentas diferentes. Gêmeos dizigóticos (DZ) são aqueles resultantes da fecundação de dois  óvulos e dois espermatozoides. Geneticamente eles são comparáveis a irmãos nascidos em épocas diferentes podendo inclusive ser de sexos distintos. A diferença entre gêmeos DZ e irmãos não gêmeos é que eles são fecundados ao mesmo tempo, compartilham o mesmo útero simultaneamente e portanto nascem no mesmo dia.

O que é o perfil epigenético?
Alterações epigenéticas são modificações que ocorrem no DNA, mas que não alteram a sua estrutura e, portanto, não são transmitidos para a descendência. Por exemplo, o silenciamento e a ativação de genes é uma alteração epigenética – controlada por um mecanismo denominado metilação – que é muito importante na diferenciação dos tecidos. É como se  nas células de cada tecido tivéssemos milhares de lâmpadas (os genes). Em cada tecido algumas lâmpadas ficam acesas (genes ativos) e outras apagadas (genes silenciados) e isso difere de tecido para tecido.  No caso de gêmeos MZ é como se  fossem duas casas geminadas iguais e com o mesmo número de lâmpadas. Só que o número de lâmpadas acesas (ativadas) ou apagadas (silenciadas) difere entre um quarto e outro (os quartos seriam os diferentes tecidos) e uma casa e outra (cada uma representando um gêmeo).

O que foi observado nesse estudo?
Os cientistas analisaram cerca de 27.000 sítios de metilação – onde pode ocorrer silenciamento ou ativação de genes –  ao longo do genoma.  Olharam se os genes que estavam ‘ativados’ ou ‘silenciados’ eram comparáveis nos gêmeos idênticos. Surpreendentemente, embora o padrão era mais semelhante ente gêmeos MZ havia uma grande variabilidade e alguns diferiam mais do que irmãos não aparentados. Mais surpreendente ainda foi a observação de que gêmeos MZ que estavam na mesma placenta – e portanto supostamente em um ambiente uterino mais semelhante – diferiam mais que gêmeos MZ que estavam em placentas diferentes. Essa observação sugere que compartilhar o mesmo ambiente uterino não contribui para um padrão epigenético semelhante.

As diferenças entre gêmeos não aumentaram com a idade
Essa foi a terceira surpresa. Isto sugere que algumas características que só aparecem mais tarde ( como por exemplo cabelos brancos) poderiam já estar pré-determinadas ao nascimento.

Em resumo
Embora os próprios pesquisadores consideram que trata-se de um estudo piloto dado a pequena amostra  tanto de gêmeos quanto ao número de  sítios de metilação analisados ( que representam cerca de 0.1% do genoma)  o estudo sugere que o ambiente uterino e o acaso teria uma influência maior que o genoma nas diferenças entre gêmeos . Por exemplo, a posição no útero ou  a localização do cordão umbilical que poderia regular a quantidade de nutrientes que passam da mãe par ao feto são variáveis que poderiam ser importantes na ativação ou silenciamento de genes. Será interessante  acompanhar outros estudos com amostras maiores  para ver se esses dados serão confirmados ou não. Mas de qualquer modo isso confirma mais uma vez que possíveis  clones humanos -  que geraram tanta polêmica na época do nascimento da ovelha clonada Dolly- nunca serão iguais.
Por Mayana Zatz

Mutação rara previne contra Alzheimer e declínio cognitivo

Posted: 22 Jul 2012 02:12 PM PDT

Quero ter essa mutação! Foi o primeiro pensamento que me veio à mente quando li sobre essa nova pesquisa na revista Nature. Mas quem não quer? Infelizmente ela não é comum. Aparece em menos de 1% das pessoas na Islândia (onde foi feita a pesquisa) e parece ser ainda mais rara em outras populações. É uma dessas variantes que chamamos de variante ou “gene protetor” e que nos protegem dos efeitos adversos daqueles que aumentam nosso risco para doenças como o próprio mal de Alzheimer, hipertensão, mal de Parkinson entre outras. Já falei disso quando escrevi sobre o genoma dos supercentenários. Será que eles possuem também essa variante que protege contra a doença de Alzheimer (DA)?

Recordando
A DA é a causa mais comum de demência associada ao envelhecimento. Ela afeta pelo menos 3% das pessoas com mais de 60 anos e mais de 25% daquelas que ultrapassam os 90. Na grande maioria dos casos a DA tem uma herança complexa que depende de interação entre uma predisposição genética e fatores ambientais. Mas em cerca de 5% das famílias a DA é hereditária, com uma herança autossômica dominante e início mais precoce. Quando um dos pais tem a mutação, a probabilidade de transmiti-la a sua descendência é de cerca de 50%. Já foram identificados pelo menos três genes responsáveis por essas  formas hereditárias. Um deles é o gene APP , descoberto há cerca de 20 anos, que codifica uma proteína precursora da amiloide (do inglês amyloid-b precursor protein).

A variante protetora está no gene APP
A maioria das mutações no gene APP são patogênicas, isto é, causam a DA de herança dominante e início precoce. Ninguém quer ter essas mutações. Elas são responsáveis por um maior acúmulo de placas b- amiloides no cérebro. O surpreendente é que a variante protetora também foi encontrada nesse gene. E seu efeito é exatamente oposto: ela diminui a formação dessas placas. Dependendo da mutação no gene APP, poderíamos chamá-lo popularmente de gene do “mal” ou do “bem”.

Como a variante “protetora” foi descoberta? Como ela age?
Para descobrir essa mutação os cientistas analisaram os genomas de 1.795 pessoas da Islândia e particularmente a associação entre o gene APP e a DA. Depois eles compararam as pessoas com diagnóstico de DA e aquelas que eram cognitivamente normais depois dos 85 anos. Aqueles que tinham a mutação tinham a capacidade cognitiva mantida.
Sabemos que pessoas com duas cópias da variante APOE4 no seu genoma têm risco aumentado de desenvolver a DA – que pode ser da ordem de 90% depois dos 80 anos. Mas, de acordo com o autor principal dessa pesquisa, Dr. Stefansson, ele encontrou 25 pessoas com duas cópias de APOE4, mas que tiveram a sorte de ter  também herdado o “gene protetor”. Nenhum deles desenvolveu a DA, o que mostra o efeito significante dessa variante.
O que foi descoberto é que as mutações nesse gene codificam diferentes enzimas que determinam como a proteína b- amiloide será fragmentada e, posteriormente, processada. A enzima alfa-secretase diminui a produção da proteína b- amiloide e promove o crescimento e sobrevivência dos neurônios. Por outro lado, a beta-secretase, também chamada de BACE, aumenta a produção da proteína b- amiloide promovendo a formação de placas. Portanto a BACE é o alvo para agentes terapêuticos.

E daí? Qual é a importancia dessa descoberta?
Como se trata de uma mutação rara, logo imagina-se que poucas pessoas poderão fazer parte dos felizardos que herdaram esse genoma “premiado” – e a maioria de nós não poderá ser beneficiada. Muito pelo contrário. Esse achado é mais uma prova de algo que se acredita há muito tempo: que são realmente as placas amiloides as grandes vilãs. É o que chamamos de prova de conceito. Elas é que devem ser combatidas. Como começamos a depositar essas placas muito antes do início dos sintomas, novas tentativas terapêuticas – que já estão sendo testadas – apontam exatamente nessa direção: evitar e remover as placas amiloides. Quanto antes, melhor. Sempre fui contra testes para saber se temos genes que aumentam o risco de virmos a desenvolver a DA ou outra doença degenerativa para a qual não há tratamento. Mas quando pudermos atuar eficientemente para evitar o depósito de placas amiloides, aí sim será muito importante testar as pessoas que estão em risco. O que você acha caro leitor?
Por Mayana Zatz

Genoma do feto: pai não é mais necessário

Posted: 12 Jul 2012 08:10 AM PDT
Em junho  a revista Science Translational Medicine publicou artigo sobre uma nova tecnologia capaz de desvendar o genoma de um feto no início da gravidez, sem necessidade de exames invasivos. Bastava  coletar sangue da mãe e saliva do pai. Escrevi sobre isso no texto da semana passada quando discuti Gen ÉTICA e esportes. Quando li esse trabalho já achei uma injustiça que da mãe seria necessário o sangue enquanto do pai só a saliva. E agora nem isso. Pesquisadores americanos acabam de publicar um novo trabalho na revista Nature, segundo o qual é possível sequenciar o genoma do feto sem o DNA do pai. A vantagem, segundo eles, é que nem sempre se consegue amostras do pai biológico.
Como isso é possivel?
Durante a gestação, o sangue da mãe contem uma mistura do seu DNA e do feto que está gerando, pois ele  libera células na circulação materna  durante a gestação. A proporção relativa de sangue fetal aumenta com a idade gestacional. Além disso o feto possui também o DNA do pai. Trocando em miúdos, no sangue da mãe circula o seu  próprio DNA (que não foi transmitido ao feto), o DNA materno transmitido ao feto e o DNA paterno presente no feto. Partindo dessa premissa, da análise do DNA e é claro – de complexos cálculos bioestatísticos -, é possível inferir qual o genoma do feto no sangue da mãe sem necessidade de coletar amostras do pai.
Quais seriam os prós e os contra desse novo método?
Os prós são a possibilidade de diagnosticar inúmeras doenças genéticas sem a necessidade de um exame invasivo. Por que fazê-lo se a interrupção da gestação não é permitida no Brasil me perguntam alguns? Não vou discutir isso aqui. A filosofia é a mesma do ultrasom na gravidez que é recomendado para todas as mulheres. Na grande  maioria dos casos, o objetivo é tranquilizar a gestante. Por outro lado, esse novo método  permitirá diagnosticar precocemente doenças graves e incuráveis ou aquelas onde o tratamento durante a gravidez pode ser muito importante, como por exemplo, a fenilcetonúria. Os futuros  pais têm direito a ter essas informações.
E os contra?
Utilizar essa tecnologia para selecionar embriões com características não associadas com doenças, como por exemplo, habilidade para esportes, como discuti na coluna anterior.
Por outro lado, os autores do trabalho da Nature argumentam que a outra vantagem de não se utilizar o DNA do pai evitaria situações eticamente complicadas de não paternidade que podem chegar a 10%.  Aliás, eu já havia comentado de maneira jocosa que essa era uma possibilidade  antes de conhecer o trabalho da Nature.
Uma nova distorção?  
Se o objetivo dessa tecnologia é diagnosticar precocemente doenças genéticas, ter o DNA do pai pode ser fundamental. Posso imaginar duas situações. A primeira, no caso de suspeita de uma doença recessiva, isto é, onde para ser afetado a pessoa precisa receber um gene defeituoso do pai e outra da mãe. Toda vez que se faz um diagnóstico como esse, é importante verificar se a mãe e o pai são portadores da mutação. É uma ferramenta poderosa para certificar-se que o resultado  do exame genético está correto principalmente em um diagnóstico prénatal quando você não pode examinar pessoalmente o paciente.  A outra situação é quando se encontra uma alteração nova  no feto (que ainda não foi descrita). Como interpretá-la? É patogênica ou não? Se ela não estiver presente nos pais a dúvida continua. Mas descobrir-se que  ela foi herdada da mãe ou do pai é uma informação que pode ser esclarecedora e principalmente tranquilizadora se  eles são  saudáveis. Relatei recentemente um exemplo  que ilustra uma situação como essa.
Em resumo, mesmo com o risco de se descobrir uma falsa paternidade, sou da opinião que ter o DNA do pai em um momento extremamente delicado na vida da gestante, quando a rapidez do diagnóstico ou na interpretação dos resultados deve prevalecer, pode ser  fundamental.
Por Mayana Zatz

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Prefeitura monta até domingo esquema especial para feriado de Finados



A Prefeitura de Guarulhos preparou um esquema especial no período de 1º a 4 de novembro para receber os visitantes dos quatro cemitérios públicos da cidade – Necrópole do Campo Santo (Vila Rio de Janeiro), São João Batista (Centro), São Judas Tadeu (Picanço) e Nossa Senhora do Bonsucesso (Bonsucesso).
A operação contará com reforço da segurança, alteração em linhas de transporte coletivo e desvios de ruas. Cerca de 70 mil pessoas estão sendo esperadas durante o período.
O Departamento de Serviço Funerário da Secretaria de Serviços Públicos disponibilizará funcionários para prestar informações, fiscalização interna e o acompanhamento de familiares. A segurança ficará a cargo de integrantes da Guarda Civil Municipal, com apoio da Policia Militar. Já a fiscalização da área externa será feita por funcionários da Secretaria de Desenvolvimento Urbano. O objetivo é coibir o comércio irregular.
O Plano de ação contará com uma média diária de cerca de 200 servidores públicos para dar suporte ao evento. São auxiliares operacionais, agentes funerários, atendentes, guardas civis e agentes de fiscalização, além de supervisores e gerentes.
No Dia de Finados (2 de novembro) serão celebradas missas nos seguintes cemitérios:
Necrópole do Campo Santo, às 9h e às 16h; no 
Nossa Senhora de Bonsucesso, às 8h, 10h, 14h e às 16h; no 
São Judas Tadeu, às 7h30, 9h e às 15h; e no 
São João Batista, às 8h.
Transportes e trânsito também têm esquema especial para o Dia de Finados
O Departamento de trânsito da Secretaria de Transportes e Trânsito (STT) preparou um esquema operacional para atender a população que irá aos cemitérios da cidade nesta sexta-feira, dia 2, no feriado de finados, e também no sábado, dia 3. A operação se dará nas proximidades dos cemitérios, entre as 7h e 18h, e contará com o apoio da GCM (Guarda Civil Municipal).
Os cemitérios a serem atendidos com agentes, viaturas e motos em virtude de interdição de vias e desvios do trânsito são: Nossa Senhora de Bonsucesso (Bonsucesso), São Judas Tadeu (Picanço), Necrópole Campo Santo (Vila Rio), São João Batista (Centro) e Parque das Primaveras I  (Taboão).
Já o Cemitério Parque das Primaveras II (Jd. Paraíso), o Cemitério Islâmico (Picanço) e o Memorial (Jd. Adriana) serão monitorados por viaturas do trânsito em rondas periódicas.
Ônibus
O Departamento de Transportes da Secretaria de Transportes e Trânsito (STT) preparou esquema para esta sexta-feira, dia 2, feriado do Dia de Finados. As linhas de ônibus vão operar com frota e programação de horários idênticos ao estabelecido aos sábados. Haverá alterações de itinerário nas linhas que atendem os cemitérios de Bonsucesso, Jardim das Primaveras I, Vila Rio de Janeiro e São Judas Tadeu – Picanço. Não haverá mudanças no sistema de transporte coletivo que circula pelos cemitérios São João Batista, Memorial e Jardim das Primaveras II, já que os históricos demonstram que a programação normal atende a demanda de visitantes desses locais. A operação relacionada ao feriado de Finados contará com seis agentes de transportes por turno.

• Cemitério da Vila Rio de Janeiro: além das linhas que já atendem a Vila Rio de Janeiro, serão prolongadas, como novas opções aos visitantes do cemitério, as linhas 342 – Vila União/Praça da Saudade, e 731 – Pq Alvorada/Praça da Saudade (e suas variantes);

• Cemitério São Judas Tadeu – Picanço: as linhas 342 – Vila União/Praça da Saudade e 731 – Pq Alvorada/Praça da Saudade mantêm atendimento de passagem ao cemitério, prosseguindo percurso até o Cemitério da Vila Rio de Janeiro. A linha 436 – Jd. Santa Mena/Aeroporto manterá o atendimento atual ao cemitério.

Cemitérios públicos da cidade:
  • Necrópole do Campo Santo (Av. Benjamin Harris Hannicutt, 1501 - Vila Rio de Janeiro Tel.: 2456-2524).

  • Nossa Senhora de Bonsucesso (Rua Catarina Maria de Jesus, 300 - Bonsucesso Tel.: 2436-0441).
  • São João Batista (Rua Felício Marcondes, 320 – Centro).
  • São Judas Tadeu (Av. Dr. Timóteo Penteado, 1.329 – Picanço Tel.: 2408-8190).

Consulte:

Serviço Funerário Municipal.
R Oswaldo Cruz, 77 -, Centro
Tel.: 2087- 6810

Cemitérios particulares da cidade:
  • Islâmico de Guarulhos (Av. Timóteo Penteado, 1 509 - Picanço - Tel.: 2459-1881).
  • Primavera I (Av. Otávio Braga de Mesquita, 3135 - Taboão Tel.: 2404-8900).
  • Primavera II (Av. Otávio Braga de Mesquita, 3535 - Taboão Tel.: 2404-8900).
  • Memorial Guarulhos (Av. Rio de Janeiro, 1 861 - Vila Rio de Janeiro Tel.: 2458-8833).
Fontes:

Adaptação: 
Professor Anderson Luz 



Resultado da eleição para Prefeito de São Paulo


Fernando Haddad PT (ELEITO)
3,387.720 votos
55,57 %


José Serra PSDB
2,708.768 votos
44,43 %

Brancos
299.224 votos
4,34 %

Nulos
500.578 votos
7,26 %

Votos válidos
6,096.488 votos
88,40 %

Professor Anderson Luz

Resultado da eleição para Prefeito de Guarulhos


Almeida PT (REELEITO)
344.238 votos
60,73%


Carlos Roberto PSDB
222.600 votos
39,27 %

Brancos
42.655 votos
6,32 %

Nulos
65.788 votos 
9,47 %

Votos válidos
566.838 votos
83,94 %

Fonte: eleicoes.uol
Professor Anderson Luz


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Professor Anderson Luz